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Bem-estar animal: o diferencial de uma nutrição inteligente

Ferramentas tecnológicas permitem descobrir as reais necessidades dos animais e realizar o uso racional de insumos veterinários



Todo produtor rural está preocupado com o desempenho de seus animais e busca, sem descanso, melhorias objetivas com ganhos para seu negócio. Com o uso de inteligência artificial (IA), já é possível pensar o manejo alimentar muito além das necessidades nutricionais dos animais. Soluções com IA buscam entender a relação do desempenho, da saúde e do bem estar animal com as bactérias que colonizam o intestino dos animais, também conhecida como microbiota. A gestão de determinados grupos de bactérias já se apresenta como um diferencial competitivo para o produtor que tem na pecuária de precisão, seu caminho mais certo para ganhos de produtividade e melhores resultados econômicos.


Microbiota animal

A microbiota animal consiste de bactérias, fungos, protozoários e vírus que naturalmente estão presentes no animal. Esses microrganismos atuam de diversas formas, contribuindo ou até prejudicando seu desempenho. Portanto, é importante ter um mapeamento detalhado da contribuição de cada espécie de microrganismo no desempenho dos animais


Por exemplo, estudos conduzidos pela Universidade de Ciência Animal de Pequim apontam que a deposição de gordura em aves depende, principalmente, da população de Methanobrevibacter sp. (um grupo de bactérias pouco conhecido). Quanto maior a população desse grupo de bactérias no intestino das aves, maiores as taxas de deposição de gordura (Wen, 2019). Já para gado leiteiro, estudos conduzidos em Israel (Jami, 2014) e Estados Unidos (Jewell, 2015; Lima, 2015) correlacionaram a abundância de bactérias do grupo Prevotella com a baixa conversão alimentar e redução na produtividade de leite.


Borja Sánchez,S et alii, 2016 apresentaram uma revisão dos mecanismos moleculares subjacentes aos efeitos benéficos dos probióticos, principalmente através da sua interação com a microbiota intestinal e com a mucosa intestinal. A utilização desses e outros aditivos alimentares, como prebióticos e melhoradores de desempenho, deve ser muito bem estudada para que o uso desses produtos reverta, efetivamente, em benefício para o produtor. Caso contrário, seria apenas incremento de custo de produção. Esse processo de escolha da melhor estratégia nutricional para cada plantel e para cada condição específica, não é simples e exige informação qualificada e análise de muitas variáveis concomitantemente.


Resumidamente, microrganismos estão naturalmente presentes no sistema digestivo animal e determinam a atividade do microbioma e seus produtos metabólicos. É importante assegurar o equilíbrio da microbiota intestinal, já que o desbalanceamento da dessa comunidade impacta significativamente o desempenho animal.


O futuro

Até recentemente, o produtor rural brasileiro não tinha o hábito de utilizar insumos produzidos pela indústria de biotecnologia. Essa situação tem mudado muito nos últimos anos. Os produtores percebem cada vez mais que a tecnologia e a pecuária de precisão permitem a gestão da microbiota intestinal dos animais e contribuem para o seu bem estar e para a otimização da produtividade. O desenvolvimento sustentável com base tecnológica permite fazer mais com menos e ferramentas de biotecnologia surgem como alternativas aos métodos tradicionais. Estão cada vez mais disponíveis ao produtor rural que pode monitorar seus animais de forma muito efetiva e independente, garantindo demandas específicas como o combate a doenças, melhor digestibilidade e ganho acelerado de peso. Esse é o futuro da nutrição animal, integrado diversas funcionalidades dependendo das necessidades específicas de cada sistema de produção.

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